Guia

A jornada do paciente em 6 etapas, e onde o seu consultório perde gente

Um guia prático pra desenhar o caminho do paciente, do primeiro WhatsApp ao retorno, e achar a etapa que mais custa caro pro seu consultório.

Por Antônio Neto5 min de leitura

Todo consultório perde paciente em algum lugar entre o primeiro “oi” no WhatsApp e o retorno. O difícil é saber onde.

Nas empresas de tecnologia existe um exercício simples pra isso, chamado jornada do cliente. A ideia é desenhar o caminho que a pessoa faz, etapa por etapa, e olhar pra cada passagem com atenção. Neste guia eu traduzo esse exercício pro consultório, em 6 etapas, com um jeito de fazer em meia hora com a sua equipe.

O exemplo é de consultório, mas serve igual pra clínica, salão, escritório e qualquer negócio que vive de agenda.

Antes de começar

Separa uma folha grande, ou um quadro, e chama quem atende: recepção, secretária, quem responde o WhatsApp. A visão de quem tá na linha de frente vale mais do que a sua nesse exercício, porque é ela que vê o paciente desistir.

Combina uma regra: ninguém propõe solução durante o desenho. Primeiro a gente entende como funciona hoje. Solução vem depois.

As 6 etapas

1. Contato

É o primeiro sinal de vida do paciente. Quase sempre uma mensagem no WhatsApp, às vezes uma ligação, às vezes uma indicação que chega pelo Instagram.

O que olhar: quanto tempo leva pra alguém responder, e o que acontece com mensagem que chega fora do horário. Em muitos consultórios, a mensagem das 23h só é vista no dia seguinte, e nesse intervalo o paciente já marcou com outro.

2. Agendamento

O paciente escolhe um horário. Parece simples, mas é onde mais acontece vai e volta: “tem terça?”, “e quinta de manhã?”, “qual o valor?”.

O que olhar: quantas mensagens são trocadas até o horário ficar marcado, e onde esse horário é anotado. Se a agenda vive em dois lugares, no sistema e no caderno, por exemplo, alguma hora eles vão discordar.

3. Confirmação

A véspera da consulta. É a etapa que mais influencia a falta, e a que mais depende de alguém lembrar de fazer.

O que olhar: quem confirma, como e quando. Se a resposta é “quem lembrar”, essa provavelmente é a etapa mais cara do seu consultório.

4. Atendimento

O dia da consulta: chegada, espera, atendimento em si. É a parte que você conhece melhor, e por isso costuma ser a menos problemática do ponto de vista de processo.

O que olhar: o que acontece quando alguém atrasa, e se a recepção tem tudo que precisa sem te interromper.

5. Pagamento

Cobrança, recibo, nota, convênio. Etapa que o paciente quer resolver rápido e que costuma ficar na mão de uma pessoa só.

O que olhar: quanto tempo leva, quem sabe fazer, e o que acontece quando essa pessoa não está.

6. Retorno

O paciente volta? Pra muitos consultórios, essa etapa simplesmente não tem dono. O paciente volta se lembrar sozinho.

O que olhar: se alguém sabe quem não volta há mais de três meses, e se existe algum convite pra voltar. É comum descobrir aqui a maior oportunidade escondida do negócio.

Como achar onde você perde gente

Com as 6 etapas no papel, faz a conta. Numa semana comum, quantas pessoas passaram por cada uma? Quantas chamaram, quantas marcaram, quantas confirmaram, quantas vieram, quantas pagaram sem problema e quantas voltaram nos meses seguintes?

Isso é o funil da sua jornada. Não precisa ser exato. Um risquinho por paciente, numa folha, já mostra entre quais etapas o número mais cai. Essa passagem é onde você mais perde gente.

Depois, olha pra cada etapa e marca quem é o responsável. Se o seu nome aparece em quase todas, você acabou de encontrar o seu gargalo. Não é defeito, é o retrato de um negócio que cresceu na base do esforço do dono. Mas é também o motivo de faltar tempo pra todo o resto.

Por onde começar a melhorar

Escolhe uma etapa só. A que mais perde gente ou a que mais depende de você. Resolver uma etapa bem resolvida vale mais do que mexer em seis pela metade.

Antes de comprar qualquer ferramenta, testa uma mudança simples na mão por duas semanas. Se a etapa escolhida é a confirmação, por exemplo, alguém da equipe manda o lembrete na véspera, pelo WhatsApp do consultório, e vocês contam as faltas antes e depois. É o que as empresas grandes chamam de MVP: a versão mais simples da ideia, testada antes de gastar.

Se o número melhorar, aí sim vale automatizar. E você vai saber exatamente o que a ferramenta precisa fazer, o que evita pagar por um sistema cheio de funções que ninguém usa.

Um cuidado com dados de paciente

Quando a jornada passa por WhatsApp, planilha e sistema, os dados do paciente passam junto. Vale combinar com a equipe o que pode circular por onde, e evitar dado clínico em celular pessoal. A LGPD e o sigilo profissional valem em todas as etapas, inclusive nas que ninguém desenhou.

Resumo pra levar

  • Desenha as 6 etapas com a equipe: contato, agendamento, confirmação, atendimento, pagamento e retorno.
  • Conta, numa semana, quantas pessoas passam por cada uma.
  • Marca onde o número mais cai e onde o seu nome mais aparece.
  • Escolhe uma etapa só e testa uma mudança simples, na mão, por duas semanas.
  • Só automatiza o que o teste provou.

Meia hora de papel e caneta costuma mostrar mais do que meses de sistema. É o mesmo exercício que as empresas de tecnologia fazem antes de construir qualquer coisa, só que no tamanho do seu consultório.

Newsletter

Um termo traduzido a cada 15 dias, no seu e-mail.

5 minutos de leitura, com um exemplo real e o que fazer amanhã.

A inscrição é feita no Substack. Dá pra sair quando quiser.